sábado, 27 de julho de 2013

Você

Cada porta destas muralhas parecem emperradas, muitos obstáculos parecem de arame farpado, e todas as farpas envenenadas com o charme de um erro. Há sangue em cada cômodo desta casa, lá fora há demônios à espreita, cobertos pela pele pálida coberta com um manto vermelho, olhando da janela com belos olhos castanhos. A cama fria é onde está fadado à esperar para sempre, até que sua pele se junte aos lençóis e seu último suspiro avise à eles que ali você desistiu, ali nós desistimos, mas aqui ficaremos.
Entre, mas feche a porta.
Não entre, mas observe da janela, e saberá o segredo. Não o segredo da vida, como todos almejam saber, mas o segredo de vivê-la, aproveitá-la. Ninguém irá lhe contar, você deverá observá-los lamentando o tempo que perderam, a vida que desperdiçaram esperando suas peles se juntarem à cama, seus olhos temem os espinhos na porta, o arame farpado na janela. Consegue ver algum? É apenas uma ilusão deles. Se levantam aos poucos, a pele rasga e o sangue se espalha pelo chão, tentam se esconder do alcance de seus belos olhos castanhos, sentem o frio de sua pele pálida em contraste com seu vestido vermelho. Você é o demônio que eles temem, você os trancou na casa, envenenou-os com seu charme e fez com que temessem cada sombra que passava pelas paredes. Na porta nunca houveram espinhos, na janela não há mais arame farpado, a casa está aberta. Fuja.