sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

" - Refletores enormes se ligaram, revelando todo o cômodo, as luzes permitiam ver até certa parte do que havia à frente, mas o teto continuava escuro. Desci as escadas, cobertas por um tapete vermelho, que pareciam envolver meus pés descalços em nuvens confortáveis, mas ao mesmo tempo tudo em volta parecia mais gelado e com o ar muito denso. Alcançando o hall, as luzes que iluminavam precariamente toda a sala pareciam mais fortes, revelando bancos enormes de madeira rodeando-me, e apagando-se conforme eu passava. Eu tentava, mas não conseguira olhar para os lados diretamente por um só segundo, apenas focava no final, que ainda não era visível, mas tornava-se cada vez mais claro, até que se revelou um altar, com duas mãos de aparência humana, mas finas e enormes, talvez cobririam todos os meus 1,75 de altura. Em todos os seus dedos haviam fios quase invisíveis, que os cobriam e terminavam na escuridão que estava o hall que havia passado. Sinto as luzes se acendendo por toda a sala e ouço um sopro vindo de trás e observo do canto de meu ombro as enormes cadeiras de madeira que eu havia passado: pareciam pessoas, deitadas de bruços sobre suas pernas, imóveis. Tive meu pensamento interrompido por estalos vindos das mãos atrás de mim, que se mexeram como se não o fizessem há décadas, ergueram-se até o alto do hall e esticaram os dedos, revelando de novo as linhas, e então os corpos nas cadeiras se levantaram como marionetes. Não eram pessoas comuns, mas todos que eu havia visto até aqui, pareciam naturais, mas eram ligados e cortados com aquelas linhas que os ligavam, com intrumentos na mãos. Seus olhos seguiam uma direção comandada, até que todos focaram em minha direção. Então finalmente a enorme mão se estendeu e passou a realizar vários gestos com os dedos, do escuro, ouvia-se palavras de comando e depois de um ensurdecedor estalo, as pessoas começaram a se mexer. O som da orquestra pudera ser ouvido em toda a sala, uma bela sinfonia era tocada por aqueles seres, que enquanto tocavam, interagiam: o casal se acariciava, a criança parecia chorar e o velho de terno se deliciava com o som de seu saxofone. Era tão vivo e ao mesmo tempo soavam como marionetes, os cortes que mostravam as linhas se interligando eram banhados por sangue, na pele que parecia madeira. Ali eu estava, de joelhos, sendo obrigado a ouvir a orquestra, que parecia explodir-me por dentro aos poucos, observando toda a sala, que parecia cada vez mais escura e me engolindo.."

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Prólogo

Era mais um dia escuro, os céus choravam, a névoa densa escondia o horizonte. A estrada, vazia como sua mente, o levaria à mais uma cidade, uma nova história, velhos problemas. Saiu de Vegas em péssimo, terrível estado, em fuga. Não era importante, afinal havia enjoado dos jogos e o Whiskey já não mais servia para dormir. De volta à auto-estrada, carregando consigo seus sonhos anteriores, jamais esquecidos. Levava também em suas costas o grande pesar de deixar seu lar, o arrependimento havia lhe tomado conta, já que viver nas estradas, caminhando por continentes já não lhe traz mais prazer.
Hoje fez 14 anos, exatamente após completar 14 anos, no dia 14 que decidiu mudar. Tail queria mais da vida, ir além do limite que sua timidez e aprisionamento lhe impôs. Seus pais lhe tratavam bem, dando o máximo por sua segurança, o que talvez tenha sido a causa de sua curiosidade em conhecer o que a vida podia apresentar. O resto da família, sempre distante, apenas o conheceram quando era um garotinho. Não haviam motivos para sua saída, mas em sua cabeça, ser tímido, inocente e fraco já era o suficiente para agir, mostrar para si mesmo que há muito além da janela de casa, dos brinquedos e do silêncio.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Random

 Grandes olhos castanhos, acompanhados de olheiras fundas de dias sem dormir direito, encarando o espelho. A água cai da torneira, preenchendo minhas mãos e caindo por meus dedos. Projeto meu rosto ao encontro das enrugadas mãos, volto a encarar o espelho, desvio para o teto e desabo o olhar para o chão. O tempo passa, o dia ainda não raiou, e continuo preso aqui. Mas hoje eu saírei. Nesta manhã, irei lavar meu rosto novamente, ajeitar meus longos cabelos e caminhar pela névoa fria. O tempo passa, e só encaro minha sombra no chão. Minha eterna companheira nunca me diz nada, minha única referência de que ainda pertenço à esse lugar. Afinal, fantasmas não possuem sombra, não é? O tempo passa, e eu realmente desejaria sair agora, mas é tão ruim sentir-se vazio, passar por jardins, montanhas, seres cheios de vida, e não se sentir parte dela. Sinto falta de minha família.

O tempo passa, mas talvez não mais importa o que resta, e sim o que já passou. Onde eles estão? Onde estou? Onde estiveram minhas oportunidades neste tempo?

O que me resta é refletir, fechar meus olhos e sentir cada partícula ao meu redor, reerguer a cabeça e dar um passo, o último passo.

sábado, 27 de julho de 2013

Você

Cada porta destas muralhas parecem emperradas, muitos obstáculos parecem de arame farpado, e todas as farpas envenenadas com o charme de um erro. Há sangue em cada cômodo desta casa, lá fora há demônios à espreita, cobertos pela pele pálida coberta com um manto vermelho, olhando da janela com belos olhos castanhos. A cama fria é onde está fadado à esperar para sempre, até que sua pele se junte aos lençóis e seu último suspiro avise à eles que ali você desistiu, ali nós desistimos, mas aqui ficaremos.
Entre, mas feche a porta.
Não entre, mas observe da janela, e saberá o segredo. Não o segredo da vida, como todos almejam saber, mas o segredo de vivê-la, aproveitá-la. Ninguém irá lhe contar, você deverá observá-los lamentando o tempo que perderam, a vida que desperdiçaram esperando suas peles se juntarem à cama, seus olhos temem os espinhos na porta, o arame farpado na janela. Consegue ver algum? É apenas uma ilusão deles. Se levantam aos poucos, a pele rasga e o sangue se espalha pelo chão, tentam se esconder do alcance de seus belos olhos castanhos, sentem o frio de sua pele pálida em contraste com seu vestido vermelho. Você é o demônio que eles temem, você os trancou na casa, envenenou-os com seu charme e fez com que temessem cada sombra que passava pelas paredes. Na porta nunca houveram espinhos, na janela não há mais arame farpado, a casa está aberta. Fuja.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O fim nada justificável, mas o fim.


É. Talvez se perguntem, ou melhor, tenho certeza de que estão se perguntando o porquê diabos eu estou fazendo isso, mas nunca entenderão. Apontarão como covardia, mas acho que há um pouco disto nesta receita. Tenho uma família boa, minhas coisas são ótimas e talvez eu tenha uma ótima saúde, mas nada disso me satisfaz, e eu não conseguiria explicar exatamente, mas talvez eu consiga ao menos evitar ser lembrado por tais asneiras. Há 2 anos atrás, eu era comum, fazia coisas comuns e agia como um retardado, típico da idade talvez. Tudo era igualmente bom e fazia sentido, mas algo ficou diferente, algo com grandes cabelos castanhos, pele branca e lábios carnudos. Sim, a coisa mais imbecilmente comum aconteceu normalmente com um jovem nada comum. É, eu era totalmente fútil, tinha minha própria peça de drama, não era nada agradável. Como esperado, aquele jovem levou um chute nada agradável e o drama aumentou, suas palavras se tornaram completamente melancólicas e suas olheiras cresceram absurdamente. Passei a maior parte do tempo tentando saber o porquê de ter acontecido aquilo, quando a resposta era simplesmente "não". Havia mistérios nisso? Antes eu achava um absurdo, mas, pensando agora, dou toda a razão à ela, e às outras que logo depois vieram, especialmente uma que disse que sou amargo e maduro demais, totalmente correto. A palavra amargo podia o descrever por completo. No meio disso tudo, acabei topando meus dedos numa pedra gigante e vi que o ano estava acabando, eu tinha problemas com notas na escola,  vocês me odiavam por ser tão imprestável. Agora vocês conseguem ver algo? Sim, isso acabou de acontecer, e só caí na real quando realmente comecei a pensar, e não tentando ser depressivo como sempre.
Essa é só uma parte, os dias são longos desde 2011, e continuariam sendo daqui pra frente. Isso também me deixa totalmente preocupado com o que vem pela frente, hoje completam-se 2 anos que não consigo ver o lado bom daqui, não consigo sorrir para o Sol ao sair de manhã, nem sequer consigo sorrir na frente de vocês ou das pessoas que mais gosto. O mais terrível é que eu era feliz quando era fútil, comum e retardado. Eu sorria mesmo depois de um dia inteiro de tempestades, dormia feliz depois de dores e palavras ao vento. Infelizmente, agora qualquer palavra é repensada assim que eu deito-me na cama. Tenho certeza de que, se eu fosse dormir agora, iria repensar todas essas palavras, e o Sol me mostraria que fiquei a noite toda aqui.
Parte de tudo já foi dita aqui, mas devo também dizer o quanto eu me preocupei com o que eu faria. Não me sinto capaz de fazer o que eu gostaria, e nem sequer apoiado. Sempre tive medo de avançar e não ser o que espero, não conseguir o que eu quero, mesmo sendo tão simples. Há muito tempo levo essa filosofia, de ter os sonhos mais simples, e aproveitar qualquer coisa que me apareça, mas muitas coisas apareceram e encobriram minha visão, nada foi agradável e só me fez sentir mais medo do que apareceria pela frente.
Eu cheguei até aqui porque pensei que havia algo que eu podia fazer, havia alguém que eu achava que seria importante, segui até aqui unicamente por esse motivo. Eu procurei ser o mais atencioso possível, lutei contra mim mesmo para dizer o que precisava dizer, busquei mudar totalmente e consegui, mas de nada adiantou. Essa foi a última luta que perdi, uma de tantas outras. Ontem achava que poderia viver com isso, que iria durar para sempre, mas acordei sem querer ver aquele sorriso, ou ouvir sua voz. E é por aqui que acaba, talvez precocemente, mas totalmente justificável, ao meu ver, jornada. Em breve me juntarei a vários outros, sendo totalmente covarde e fútil, mas tomando a decisão que mais me agradou. A primeira e última decisão que me fez sorrir e dizer "agora sim".

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Continuação?

Continuação de http://sorispace.blogspot.com/2012/10/nightmares-about-decymber-atualizado.html

Agora o relógio marca 55. Sim, eu demorei 5 minutos para tomar coragem e ir até a porta, e neste cômodo só há uma cadeira com cordas para imobilização e ferramentas presas nas paredes brancas, com manchas de sangue por todo o lado. As ferramentas também estão sujas de sangue e não parece ter alguma saída aqui. Virei-me para sair do cômodo e a porta estava se fechando, o frio que me congelava antes agora voltou, essa dor de cabeça parece me deixar louco. Fecho o olho por um segundo, e agora estou preso na cadeira pelos braços, pernas e pescoço, algo vestido com roupa branca e máscara cirúrgica mexe nas ferramentas enquanto olha para a minha direção, por cima de seus ombros. Sua altura e cabelos me lembram vagamente Till Lindemann, o jaleco que usa está rasgado nas costas, com marcas de arranhões e cortes. Virou-se e caminhou em minha direção, com uma agulha na mão, encostou em minha testa e perfurou-a, e assim que encostou no osso, começou a arranhá-lo com a ponta da agulha. Doía muito, o sangue escorria entre meus olhos enquanto ele gargalhava e mexia os braços, as cordas não me permitiam muito movimento e ainda machucavam. Parece que aqui que termina, apenas fecho os olhos e espero, e quando abro de novo, estou de novo no pátio do sanatório, mas sangrando muito.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O que sou?


Ouça esse som irritante, é a minha vida. Tal vida que foi desperdiçada em frente ao espelho que nada reflete.
Olhe para o espelho e aquilo nunca sairá de sua cabeça, algo que lhe invadirá sem que sinta, mas que te fará sofrer cada segundo, assim que sair, se sair.
Permita que lhe falem, mas diga algo, pois não há nada mais desagradável que a combinação do desânimo com a sensação de desprezo. Permita que amem, mas tenha-os em suas mãos, e quando parecerem longe, diga apenas três palavras.
Há tudo isso aqui, entre e acenda as luzes, o céu azul escuro lhe indicará o caminho, colha o maior número de flores negras que encontrar e faça um belo buquê representando a loucura.
E é aqui que fico, não tente me encontrar em minhas próprias palavras, pois não sou gato ou rato. Sou aquele que caiu em escuridão, totalmente sem brilho. Sou o espelho que nada reflete.