terça-feira, 29 de outubro de 2013

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 Grandes olhos castanhos, acompanhados de olheiras fundas de dias sem dormir direito, encarando o espelho. A água cai da torneira, preenchendo minhas mãos e caindo por meus dedos. Projeto meu rosto ao encontro das enrugadas mãos, volto a encarar o espelho, desvio para o teto e desabo o olhar para o chão. O tempo passa, o dia ainda não raiou, e continuo preso aqui. Mas hoje eu saírei. Nesta manhã, irei lavar meu rosto novamente, ajeitar meus longos cabelos e caminhar pela névoa fria. O tempo passa, e só encaro minha sombra no chão. Minha eterna companheira nunca me diz nada, minha única referência de que ainda pertenço à esse lugar. Afinal, fantasmas não possuem sombra, não é? O tempo passa, e eu realmente desejaria sair agora, mas é tão ruim sentir-se vazio, passar por jardins, montanhas, seres cheios de vida, e não se sentir parte dela. Sinto falta de minha família.

O tempo passa, mas talvez não mais importa o que resta, e sim o que já passou. Onde eles estão? Onde estou? Onde estiveram minhas oportunidades neste tempo?

O que me resta é refletir, fechar meus olhos e sentir cada partícula ao meu redor, reerguer a cabeça e dar um passo, o último passo.

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