"Escuro, é tão sufocante viver preso à luz da lua. Sonhos ofuscados, vida desmascarada. Tu não estarás aqui. Aqui em meu quarto, tereis todo o tipo de mal, sofrerei mais uma vez, sufocarei no véu negro de minha falta de fé. Mas o Sol do horizonte surgiu, iluminando minha casa, minha vida. Levantei de minha cadeira, soltei o lápis sobre o pergaminho e segui em frente. Não importa para onde, apenas caminhei de cabeça erguida. Neste momento, não me importou fé ou reflexão, o Sol me banhava com luz e meus poros se enchiam de vida a cada suspiro. Ali senti que ninguém me derrotaria, ninguém seria capaz de tornar meu dia escuro. Tirei de minha face a dor de viver na escuridão e peregrinei ao horizonte. Pensei que daqui há alguns anos estaria perdido em meu caminho, abandonado e deprimido por me libertar da escuridão, mas tudo mudou. Não tenhas medo do que há aqui fora, a sensação de liberdade é mais gratificante que a agonia de enfrentar novos desafios, coisas que ouvíamos ser parte do mal, condenando e queimando os que ousavam cruzar esta linha. Eu não fui punido, não queimei e nem pereci diante de algo desconhecido. Minhas intenções são as melhores possíveis, mas caminho sozinho em direção ao meu horizonte, em busca da verdade."
Era seu último pedaço de papel, assim como suas últimas palavras antes de partir. Sabia que eles viriam nesta noite, sua casa já havia sido tomada pela escuridão, sendo apenas iluminada pela vela em sua mesa. Cotovelos apoiados em suas pernas, mãos espalmadas em seu rosto. Tentava entender como chegou naquela situação. Logo desistiu de refletir, recolheu o que lhe era mais importante - suas ideias, algum papel e a sua pena de melhor qualidade e tinta. Também algumas roupas e ódio em sua alma - e dali se despedia de sua cidade, a caminho de algo que não conhecia, mas não temia, como escreveu em seu texto há poucos minutos. Abriu a porta e se juntou à escuridão, em direção aos portões pelas ruas vazias de sua Vila natal.
- Continua
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