Há quanto tempo...você se lembra? Sei que se passaram anos, a brisa não mais é forte o suficiente para balançar vossos cabelos, não é pura o suficiente para penetrar em vossos corpos e inspirar a mente dos pensadores. Tente se lembrar, tente recordar o tempo em que você corria, movimentava seu frágil e pálido corpo pela grama que um dia já foi tão verde e curta, e amortecia todas as suas quedas. Aqui, neste pequeno morro, onde todas as nossas esperanças se cruzaram pela primeira e última vez, onde seus olhos brilhavam à luz do sol, seus cabelos se agitavam como a árvore que nos abrigava na tempestade, não aguento de saudades, posso ver seu rosto em cada canto deste infinito campo, consigo sentir suas lágrimas em cada folha que cai desta enorme árvore, quero ouvir sua doce voz apenas mais uma vez.
O inverno está se aproximando, o frio que a estação me apresenta não é tão forte quanto o frio que minha alma sente junto à sua ausência, lágrimas banham a terra, não sinto nada, apenas ali fico, minha cabeça contra a árvore, a brisa calma acaricia meus cabelos, como se tentasse me consolar, a tristeza encravada em todo meu ser, mergulhada no fundo de minhas memórias. Assim como você, todos ao meu redor se foram, aqui estou sozinho, lamentando. Lembro-me que te deixei sozinha, chorando aqui, não há mais essência, não há mais motivos, não há mais como viver.
Este texto provoca uma profusão de sentimentos que, creio eu, não pode ser descrito com palavra alguma!
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