Normalmente, a essa hora, estaria em sono profundo, mas acordei e dei fim no sonho.É
sempre assim, estamos tendo um bom sonho e uma porra de um despertardor nos acorda.
Estranhei a casa, aliás, onde eu estou? O ambiente é totalmente diferente de como eu me
acostumei. Dormia em um quarto pequeno, parecia uma caverna, paredes brancas, úmidas e
frias, ficar ali dava calafrios. Agora me encontro em um quarto maior, com belas paredes
e bem claro, quente.
Levanto da cama tentando entender tudo isso, me afasto da cama e vou em direção ao
corredor, que parece levar ao resto da casa. Passava pelo corredor, ao contrário do
quarto, este cômodo era frio, haviam muitos quadros ali, muitos pareciam vigiar o que
passava.Distraído com tudo aquilo, esbarrei numa mesa de madeira e derrubei o vaso que
ali estava, o barulho foi alto, vejo algo vindo em minha direção, alguém com uma
voz forte dizer:
- COLLIE ENTRARGIAN! Que merda você fez agora? - Estranhei o nome, mas involuntariamente
respondi: -Foi sem querer mãe, desculpe - Espere, não reconheço aquele rosto, como chamei
esta pessoa de mãe? Onde estou? Ali continuei, vendo a mulher de aparência velha
resmungar coisas e limpar o chão, se levantar e ir em direção ao que parecia ser a
cozinha.
Um pouco perdido, encontrei o banheiro. A porta estava meio emperrada, custou a abrir, me
deparei com algo bem familiar, as roupas sujas estavam no canto do banheiro, assim como
era em minha casa. Refleti um pouco sobre isso e dei uma risada, e então fui em direção
ao espelho.
-CARALHO! - Gritei. Que rosto é esse, quem é esse? Apenas me identifiquei com a camisa da
banda que mais curtia. Encontrei no espelho um rosto fino, pálido, olhos arregalados e
destacados pela olheira, cabelos curtos e negros. Enquanto estava ali, ouvi de novo a
pesada voz do que antes havia chamado de mãe:
-Ei, está atrasado, você não ia no tal do evento na cidade de Rylie?
- Onde? - Disse meio confuso. - Em Rylie, a tal da cidade do destino ou sei lá
Já tinha ouvido aquele nome em algum lugar..Exato! Sempre via essa cidade em meus sonhos,
geralmente apenas um anúncio ou uma placa indicando, mas nunca cheguei a ir naquela
direção.
Arrumei-me, mesmo sem saber para o quê, corri em direção a rua e vi algo que não
conhecia, mas sabia exatamente o que era, andava ao que parecia ser um ponto de ônibus.
Ali esperava por um ônibus da tal cidade que aparecia em meus sonhos, mas o que significa
isso tudo? Ainda estou sonhando? Não, é muito real para ser um sonho, mas parece ser algo
fictício.
O ônibus logo chegou, entrei e estranhei o tal ônibus vazio, escolhi um local para
sentar. Não sei o porquê, mas adorava sentar na parte alta do ônibus, geralmente colocava
algo do lado para ninguém sentar, pensava que guardara o local para alguém, mas esse
alguém nunca havia aparecido.
Chegando no ponto seguinte, entra um homem de má aparência, baixo e calvo, vestido com um
agasalho (fazia muito calor dentro e fora do ônibus) e uma calça larga. Só percebi essa
estranha figura entrando quando sentou ao meu lado, parecia preocupado. Perguntei:
-Olá, desculpe perguntar, mas como é Rylie?
-Rylie? - Perguntou o velho homem -Do que está falando?
-Sim, a cidade para que o ônibus está nos levando.
-Ah claro, não é exatamente uma cidade, é um ponto onde pessoas religiosas costumam
frequentar.
Depois de ouvir isso, olhei um pouco para fora pensando em como eu iria para um lugar
assim, se não tenho alguma religião, não há motivos para me direcionar até lá, e de novo,
o que está acontecendo?
-Na verdade este local fica longe, se quiser você pode dormir um pouco - Diz o velho
homem, interrompendo meus pensamentos.
-Não estou com sono - disse com uma voz meio grossa, talvez tentando avisá-lo que não sou
burro, já que ele agia como se estivesse interessado em algo que eu tinha.
-Já que você não necessita de minha ajuda, estou indo embora - disse o velho,
levantando-se e descendo do ônibus. Ajuda..foi isso que ouvi? Por quê alguém desconhecido
me diria isso? Olhei da janela o velho homem. Já não era mais velho, havia ganhado uma
aparência de executivo, com aquele smoking e uma maleta em mãos.
De de algumas pessoas entrarem no ônibus, se destacou uma jovem com aparência de ums 17
anos, cabelos castanhos que brilhavam na luz. Conversava com uma outra garota, eu podia
ouvir sua doce voz, suave e baixa. Esta então sentou ao meu lado, olhou em meus olhos,
seus belos olhos castanhos se destacavam em um lindo rosto, e tornou-se a virar
novamente para sua acompanhante ali.
Tornei a cair no sono. Geralmente seria acordado pelo ônibus, já que a rua estava
em péssima qualidade, mas foi diferente, o sono era pesado, quase totalmente apagado,
pensei em tudo que estava acontecendo, mas fui acordado por uma trovoada. Olhei pela
janela e vi grandes nuvens cobrir todo o céu. Voltei a fechar os olhos e ouvi que havia
começado a chover, mas logo foi ignorada pelo sono.
Comecei a entrar numa espécie de sonho, descia do ônibus e corria na chuva até um
bar, estranhei a quantidade de cabelos e o volume maior no peito, além da falta de volume
na apertada calça. Me olhei num pequeno espelho e vi que já não era mais um homem. Eu
poderia ter uma fantasia com aquela bela garota que vi no ônibus, mas sonhar ser ela?
Parecia perder o movimento, apenas tinha a visão do local, mas me movia
involuntariamente. Assiti a jovem ser assediada por várias pessoas ali no bar, a chuva
não parava, mas o movimento era grande ali, consegui ver uma placa, e a placa indicava
"Rylie /\" e outra avisando "Bem-vindo a Orenop". Involuntariamente ignorei a tal placa e
continuei conversando com as pessoas ali perto. O bar era no alto de um morro, com uma
bela vista da cidade. Onde havia sentado dava para ver o céu coberto por grandes e
carregadas nuvens negras, pareciam descer e finalmente se chocaram com a terra. Um grande
tufão se formou e devastava a cidade, logo formou-se outro e outros, pareciam grandes
demônios negros realizando o apocalipse, limpando tudo que via pela frente.
Muitas coisas voavam e passavam perigosamente pelo bar, não sabia o que estava fazendo,
mas parecia procurar alguém, até que algo me atingiu. Senti a batida e caí no chão,
tentava gritar por ajuda mas não tinha fôlego, olhei para o lado e vi a cidade em chamas.
Fechei os olhos e acordei no ônibus, não mais cheio, mas com algumas pessoas, a
jovem que estava ao meu lado já havia ido embora. Me olhei no espelho que levava comigo e
vi que ainda era o garoto no qual acordei antes, olhei mas no canto do espelho e vi uma
placa na outra rodovia, que levava ao lado contrário do ônibus: " /\ Orenop"
Me assustei, não sabia por quê, mas antes tudo era real. Corri para a porta do ônibus e
loucamente pedi para abrir, saltei do ônibus e corri em direção contrária ao tal. A
estrada estava agitada, pessoas correndo, carros abandonados, um cenário apocaliptico.
Uma série de furacões eram vistos um pouco longe dali, mas causava pânico.
A estrada parecia subir um morro, quando então vi um bar destruído e alguns corpos
estendidos no chão. Procurei rapidamente por aquela tal jovem do sonho, perdi um bom
tempo até encontrá-la, estava nos últimos sopros de vida. Fui ao chão e falei com ela,
com uma grande quantidade de lágrima nos olhos: - Não morra! - Ela disse:
- Estranho, sonhei com você esta noite - E já não havia mais pulso.
Ali fiquei, chorando junto ao seu pálido corpo sem vida, até que acordo com o despertar
do relógio, agora era tudo como antes, fiquei feliz por ser só um sonho, mas confuso pelo
sonho que acabaria de ter, me mantive na cama, pensando em tudo, mas como poderia ser apenas um sonho, se eu me sinto cansado?
Visivelmente distraído, me arrumava para mais um dia na escola. Depois de 5 minutos
esperando, peguei o ônibus normalmente. Estranhamente vi passando na rua o tal homem que entrara no ônibus no sonho que tive, conversando com o outro de smoking e maleta. Espalmei as mãos em meu rosto e tentava me esquecer um pouco daquilo, senti a presença de alguém e vi que sentaram ao meu lado. Era
exatamente a tal garota do sonho que tive, estava distraída, viu que eu havia me mexido e olhou para meu rosto, espantou-se e disse com uma doce voz:
-Estranho.. - O quê? Perguntei.
-Sonhei com você esta noite.
Nenhum comentário:
Postar um comentário